Blog

Gestão · · 2 min de leitura

What you see is what you get

Na aviação e na pilotagem, ver a realidade como ela é é condição para continuar. Na gestão, o excesso de indicadores é a forma mais comum de parar de ver.

Cabine de avião com instrumentos de voo e vista do mar e do céu claro, iluminados pelo sol no horizonte

Na aviação e na pilotagem de motocicletas, “what you see is what you get” não é frase de quadro motivacional. É condição para continuar voando e rodando. A pista é a pista. A curva é a curva. Quem passa a ver o que gostaria de ver, e não o que está diante dos olhos, paga o preço imediatamente.

No negócio, o mesmo princípio vale, mas o preço chega mais devagar. E é justamente por isso que ele é mais perigoso. A realidade que se recusa a ver cobra a conta meses depois, quando a margem de correção já encolheu.

O painel é a pista

Na cabine, os instrumentos ocupam o lugar da pista. Existem para mostrar a realidade, não para confortar. Na empresa, os indicadores cumprem esse papel, mas raramente mostram a realidade inteira. Eles são escolhidos, recortados e apresentados por pessoas, e cada escolha carrega uma intenção.

Painéis lotados transmitem uma sensação enganosa de controle. Quando tudo é medido, nada é realmente olhado, e a reunião de resultados vira leitura de slides, não conversa de decisão.

O excesso é desejo, não método

Cada indicador a mais disputa a atenção que deveria estar em um indicador a menos. E, quando o painel cresce demais, a leitura deixa de ser fria. Passa a confirmar o que já se queria concluir.

Ver o que se quer ver raramente é um acidente. Muitas vezes é a consequência natural de um painel montado para agradar, e não para informar.

Ver é treinável

O olhar honesto se mantém com perguntas simples, repetidas sempre que um número é lido. Qual evidência mais contraria a leitura atual? Se estiver errado, o que estaria vendo agora? O que o painel ainda não me disse?

Da medição ao resultado

Reduzir o painel não é perder informação. É ganhar visão. Quando os poucos indicadores certos entram na rotina, a gestão sai do relatório e vai para a ação.

E o valor de um indicador não está no número. Está na conversa que ele provoca entre quem decide. O que você vê é o que você tem. O que você faz com isso é o resultado.

Compartilhar LinkedIn